O recente projeto de lei sancionado pelo presidente Lula e encaminhado ao senado, pretende alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente, proibindo qualquer forma de agressão física, ou seja, palmadas beliscões etc.
De início, me coloquei a favor, por acreditar que violência gera violência, apesar de já ter dado palmadas em meus filhos para lhes mostrar que haviam ultrapassado o limite. E foi aí que a palavra LIMITE tomou forma e peso em meus questionamentos.
Será que devemos permitir que o Estado decida como devemos educar nossos filhos? Não estou falando de pais que surram seus filhos, agridem até crianças recém-nascidas. Isso é crime e deve ser punido. Mas e o pai, ou mãe, que dá uma palmada em uma criança, está errado?
Até determinada idade a criança não compreende o diálogo, e o que lhes mostra o limite é a dor. Ao nascer, o nosso primeiro estímulo é a dor. Ou não é verdade que a criança toma uma palmada ao nascer? E neste caso é agressão? Ou a lei não será aplicada nas maternidades?
E a criança que perambula pelas ruas, faminta e maltratada, não está sendo agredida pelo Estado que deveria protegê-la?
São muitas as perguntas e talvez não encontremos respostas para todas. Mas, pensando sobre o assunto, cheguei a uma conclusão:
Não cabe ao Estado decidir sobre como devemos educar nossos filhos, mas a cada família encontrar sua própria forma de mostrar aos filhos que para tudo existe um limite, e este deve ser respeitado. E se a única forma de lhes ensinar isso for uma palmada, que seja dada, ou amanhã quando forem crianças ou adolescentes sem limites, talvez o próprio Estado, que hoje proíbe a palmada, lhes apliquem verdadeiras surras, e teremos que nos calar, porque permitimos a ele decidir como educá-los.
Cleonice Nogueira, módulo IVB
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